quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Invisíveis

Algumas pessoas são invisíveis. Não podemos negar! O sistema massacra as pessoas que não pertencem ao nosso ciclo e, dizer que isto é mentira, que não acontece comigo e com você, é hipocrisia pura sem qualquer aditivo. Não que (sempre) queiramos ignorá-los, mas estamos habituados. Não enxergá-los é uma proteção optica bastante eficaz para nos livrar de culpas.

Mais uma vez Carrie Bradshaw me emplacou. Para quem não conhece, Carrie é a protagonista do seriado americano Sex and the City e, ultimamente, minha terapeuta. Carrie é escritora e tem cabelos encaracolados (o último adjetivo é piada interna) e ela, assim como eu, precisou de alguém invisível para mostrar o valor de algumas coisas.

Uma mulher com touca na cabeça, uniforme acinzentado de faxineira. Sem perder a vaidade, nos seus mais de 50 anos, ela usa brincos grandes e dourados. Bijuteria barata. Batom vermelho. Eu não havia a notado, mas ela notou em mim. Eu estava em outro planeta, longe dali, 'viajando' em meus pensamentos tristes, em sentimentos ingratos e melancólicos. Mas ela notou em mim e mudou meu dia. Quanta alegria trazia aquela mulher. Quantas histórias trazem as pessoas invisíveis das ruas, dos ônibus. Que varrem as guias, lavam os pratos, servem as mesas.

A fictícia Carrie também precisou de uma mulher invisível para perceber o que algumas coisas bastam para se viver. Me emplacou. Agora vejo o batom vermelho em lábios finos da mulher invisível. Tornam-se visíveis o que há de mais belo no meu dia.

Um comentário:

Adilson Jorge disse...

Uma mulher invisível também mudou minha cabeça essa semana. Era a Luana Piovani, no cinema.

rs