Sei que estou perdendo o foco. Há coisas muito mais importantes para tratar aqui, mas não deixarei de compartilhar algumas reflexões que tomaram meus dias. Há alguns dias atrás eu percebi que cresci. Ora, como não?! Será que descobri isto tarde?!
Minha melhor amiga me ligou dando a notícia: vou me casar! Nesse momento, entre uma fala aqui e mais alguma do outro lado da linha, me dei conta que não éramos mais duas adolescentes espevitadas a procura de aventura, nem duas meninas descobrindo o mundo, tentando se esquivar das asas de nossos pais, com histórias mal contadas, mentiras deslavadas. Tive medo do tempo. Mas, a situação se agravou mais ainda quando encontrei num sebo (adoro comprar livros em sebos, tem cheiro de ... sebo!, uma sensação de reaproveitamento) um que eu já havia lido duas vezes, quando estava no colegial. Eu simplesmente era apaixonada. Quando voltei a ler, percebi o quanto eu havia mudado.
O livro é "Anos Rebeldes", de Gilberto Braga (este mesmo da TV Globo). Alguns trechos que achava o máximo nos meus 15 anos, hoje não faz mais sentido. Naquele tempo, eu suspirava com os trechos do diário escrito pela personagem Maria Lúcia, o amor não correspondido que Edgar carregava, o ideal revolucionário de João. Acho que eu cresci. Estou lendo, mas não suspiro mais.
Será que quando crescemos perdemos a capacidade de fantasiar ? Me lembro que antes de durmir costumava criar histórias sobre situações que eu gostaria que acontecessem. Era como um filme escrito apenas na memória que ia rodando, rodando ... até eu adormecer. Com o passar dos anos passei a me policiar. É que nem sempre as coisas acontecem como a gente quer e para não ter aquele sentimento de frustração, eu deixei de sonhar.
Será que este é um sinal de que a vida adulta está chegando? Outros sinais a gente conhece: moramos sozinhos, temos conta no banco, cartão de crédito, dirigimos. Saímos e voltamos sozinhos sem precisar segurar a mão de ninguém para atravessar a rua. Mesmo que a cidade onde estejamos seja bem maior e uma difícil novidade.
Alguns se passaram e só me dei conta agora que deixar de criar histórias. E isso me levou a uma saudadezinha. Talvez eu esteja crescendo e por isso parei de fantasiar. Mas pode ser que meu coração já esteja cansado dessa real realidade e esteja querendo a minha felicidade guardar.