quinta-feira, 26 de junho de 2008

Justus - um programa para um país injusto!


"O Aprendiz" da rede Record, na última quinta-feira, me convenceu que o empresário Roberto Justus é um "burguesão", como já diria o Erik, vulgo Che!
Além de Justus, a direção do programa, segue o mesmo rumo e ideologia: disseminar o capitalismo, num perfil de empresário arrogante e ditador, com uma lavagem cerebral em "puxas-sacos", denominados "aprendizes". Os telespectadores, por outro lado, tomam o papel de alunos como se fosse uma sala de aula, em que se aprende a competir e se dar bem na vida. Mas e quando o telespectador está fora da realidade do luxo do programa??
Como eu disse, a última quinta-feira me surpreendeu, ainda mais! A equipe vencedora da prova do dia, teve como prêmio R$10.000,00 para torrar no lugar mais propício: shopping. Nada mais, nada menos. Gastar em que quisessem. O prêmio e o programa daquela noite, por fim, acabam sem antes um dos participantes dizer em não saber mais em que gastar e encher um carrinho de supermercado com bichinhos de pelúcia e futilidades.
Então, o cortador de cana, lá do interior do Mato Grosso, que sustenta família com salário mínimo fica se perguntando o que faria com tanta "dinheirama" assim para gastar. E toda a população de massa deve se perguntar o que é empreendedorismo, marketing e blá blá blá. Eles deveriam ensinar para o Justus como administrar a vida assim, na miséria. E eu, então, me pergunto: por que ainda questionamos o porquê do Brasil ser tão desigual?

2 comentários:

Adilson Jorge disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Adilson Jorge disse...

Ter empreendedorismo, saber adminstrar quando se tem dinheiro é fácil. Prêmio mesmo merecem aqueles que com um salário mínimo continuam vivos.

Passam fome, são discriminados, jogados para fora da sociedade que apenas dá valor para os que possuem bens. Como dizem: o importante é ter e não ser.

Roberto Justos é um exemplo de como a sociedade capitalista dá valor ao idiotas que se acham por terem dinheiro. Justos se acha o grande empresário do país. Arrogância é sua marca. Fora aquele jeito robôtico e o topete, claro.

Programas como esse mostram que nossa televisão precisa melhorar e muito.

Sobre Marketing (reparou que até o termo é em inglês... porque vem dos americanos, aqueles que se entopem de bacon às 7 da manhã, saem querendo conquistar o mundo a todo custo e choram pelas mortes de um soldado americano, na proporção de para, pelo menos, uns 20 iraquianos etc), voltando ... Marketing? Eu também já li Kotler, o mestre dos marketeiros, e também posso decorar algumas falas dele para me sentir o bam bam bam.

O mais triste: pessoas se portarem abaixando a cabeça para uma pessoa que se acha superior. "Desculpa, Sr. Roberto"... "Tem razão, Roberto"... "Seu topete é maravilhoso, Roberto!". Para mim, são muito mais infelizes do que aprendizes. Por que se foram para o programa para aprender algo, isto é ser um almofadinha que não se importa com o resto da sociedade. Claro, só quando algo acontece com ele próprio. Não é, Luciano Huck?

Estou certo que o melhor dia do programa do Justos foi quando ele foi demitido por um dos participantes. "Eu sou o CEO da minha empresa, que é a minha vida, e você está demitido dela". A cara vermelha do apresentador-arrogância foi impagável.

Mas é isso, infelizes sempre terão, e infelizmente, os que passam fome e assistem os outros gastanto 10 mil no centro do capitalismo, os shoppings, também, teremos. QUE DECEPÇÃO!

Beijos, Bruna!